Tear Literário _ Crônica _

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O Tear Literário amplia seus horizontes. Mostra aqui, a CRÔNICA. É mais uma página oferecida, pelo Escritor Paulino Vergetti Neto aos apreciadores desse gênero, dentro de uma amostragem de sua vasta produção literária.

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Um homem apaixonado pela vida.

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  • Sunday, October 08, 2006



    Eleições Novas


    E vem à baila a mesmice eleitoral, e os problemas são os mesmos – velhos problemas esquecidos nos interstícios das eleições – e o enganoso discurso sobrevive à mesmice do seu marasmo, embota em si mesmo e o homem, ainda pensando ser cidadão, traveste-se de eleitor e vota, como se isso lhe fosse exclusividade de valor, ato que fosse ser honrado por quem eleito fosse.
    Antiqüíssimos problemas sociais vêm avolumando-se através do tempo. Promessas hipócritas, trabalhos de ladroagem, respeito nenhum ao eleitor. Eles agem nos porões da “Corte”, cegam-se neles próprios e, metendo a mão no erário, zombam da própria República! Só há uma hora de cortarmos esses velhos e rabugentos políticos ladrões: nas próximas eleições. É a hora da degola, quando só a verdade viva poderá ser deixada sobreviver. O passado dos porcos que fique no abate de suas próprias consciências. O novo há de ser testado após a escolha firme, por voto mais firme ainda.
    Assusta-me, como cidadão alagoano, poder ser legislado por uma Assembléia de homens descompromissados com a paz. Criminosos falam de falta de segurança, e bandidos sobem em palanques misturados a um punhado escasseado de candidatos diferentes – alguns destes –, que ainda serão testados pelas urnas e pelo laborão em prol da sociedade.
    Em um Estado carente de intelectuais como o nosso, cheio de fome e de pobreza, quais tipos de candidatos poderemos esperar sejam eleitos? Há um mau cheiro enorme no ar! As promessas barulham e fedem. Os cartórios continuam e, o que é pior, cada vez mais violentos e perigosos. A ameaça física e psicológica ainda deverá ser a maior força que empurrará o eleitor esfomeado às urnas. O homem simples, o campesino, continua totalmente marginalizado e dependente dos favores dos odiosos desses mesmos currais eleitorais.
    Acho que nem as orações servirão para tudo. Em cada urna estará um demônio imantado a iludir consciências. O poder político e o econômico ainda serão os maiores compradores de votos. A República está assim; essa é a prática da hora, o escândalo do passado e a desesperança dos que estão pensando no futuro.
    Mudemos e mudemos para melhor. Viver a orfandade de representação, eterna orfandade que nós, eleitores, damos a nós mesmos, favorecendo aos postulantes de cargos eletivos, não poderá sobreviver ao próximo mês de outubro. Deixemos que os ‘maus” tornem-se os perdedores e que suas histórias voltem a passar apenas à condição de eleitores a sentirem quão difícil nos foi escolhê-los por engano e perdermos tantos anos de desenvolvimento.
    Mas o fantasma dessa doença chamada “candidato ruim” vai e vem – retorno ousado, porque não há toda a lei contra eles e forgeiam, nas molduras dos tempos de eleições, o retrato da mentira, da preguiça e da roubalheira!
    Na nova lousa, hoje que o tempo nos permite mudar tudo, exerçamos a democracia nas urnas. Não é necessário pedir segurança para votar. Basta-se deixar na ponta do indicador de uma das mãos a coragem consciente para fazer o que o retrato eleitoral deste país e deste Estado, até hoje, não apresentou: a vontade legítima dos homens de bem, esses cidadãos que sempre foram trapaceados.
    Eles são árvores de estranhos frutos. Brasas de olhos fechados. Perversos donos da cantilena dos maus. Retrocesso de qualquer golpe que nossas vontades iludidas nos deram até hoje!
    E a esperança está na mão mestiça da fome e do desemprego, na coragem das vozes que até hoje clamam por justiça e nos novos valores que surgiram nos dias atuais. Que o tártaro indevido e cruel do passado eleitoral não seja mais a tempestade que arrebata os justos, escondendo-os do dever, em prol dos bárbaros que safadeiam com suas ações nefastas. Elejamos nossas últimas esperanças, numa única esperança nova: a de mudar-se este país para melhor. Façamos isso por nossos filhos.

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