Tear Literário _ Crônica _

Tear Literário _ Crônica _

O Tear Literário amplia seus horizontes. Mostra aqui, a CRÔNICA. É mais uma página oferecida, pelo Escritor Paulino Vergetti Neto aos apreciadores desse gênero, dentro de uma amostragem de sua vasta produção literária.

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Location: Maceió, Alagoas, Brazil

Um homem apaixonado pela vida.

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  • Sunday, October 08, 2006





    A crônica




    Os principais jornais em circulação no país mancheteiam violência e roubo. Notícias alvíssaras são minoria, até porque o que mais vende um jornal é sua manchete bombástica. Poesia não vende nem livro, quanto mais jornais – esses velhos casulos das crônicas efêmeras, notícias do instantâneo, avisos que morrem no dia seguinte, quando o papel impresso já for lixo.
    O gênero literário crônica, que alguns dizem ter conseguido corpo e alma com os cronistas brasileiros, tem se firmado a cada ano como um gênero ficador. Assim, como diziam outros, que o romance, enquanto gênero literário, agonizava em seus últimos fôlegos de existência – erram os que depositam na crônica apenas os créditos morredores, a fumaça da efemeridade. Quando bem feita, rearrumada na página, agora, do livro, o gênero se absolutiza e torna-se imorredor. O país possui cronistas apreciáveis. É uma pena que os maiores e melhores tenham achado suas portas mais largas nos grandes jornais do sul do país. Por cá, agoniza meia dúzia de patriotas literatos que não mede esforços para alimentar esse gênero, além de promissor, janela por onde, podem ser mostrados a cor e o som da poesia dos outros gêneros literários.
    A crônica fala dos demais gêneros literários, dando-lhes o brilho que seu autor conseguiu tecer e pincelar no papel que leva o discurso escrito. Cronos de tempo e que no tempo finca-se fidalga e altaneira. Brincando ou falando sério ao informar, surge, e lida, excitando seus admiradores a, em assim guardando-as, produzirem as famosas antologias por muitos já tão conhecidas.
    Escrevemo-la do lado de cá dos bastidores dos jornais e dos livros. Seus destinos são sombreados. Umas morrerão lidas, outras nascerão lidas, tantas delas nem serão vistas dum lado ou do outro. Cronifica-se, assim, o maior pecado literário, o de não apreciá-las.
    Aprecio esse gênero complexo e tão fortemente frágil – se posso pensá-la ou dizê-la como aqui - , que se avulta e imortaliza quando nasce grande como sua sobrevivência histórica.
    Aos milhões são elas publicadas no dia-a-dia jornalístico. Muitas delas nem portas abertas acharão: morrerão antes de nascer. Como filhas legítimas da Literatura, hão de esperar todas elas, publicamente respeitadas, pelo único e natural caminho: a publicação.
    Esta que fiz e vos enderecei, caros leitores, batizei-a simplismente com o nome do gênero. Não sei para onde irá, o que dela dirão ou farão. Ei-la, diferentemente de tantas outras que tenho feito e publicado, Já que se faz meta-protesto, meta-alegria, será que se faz meta-narrativa? Sei que a fiz: o restante acontecerá depois de lida por olhos os mais diversos que ela encontrar nos caminhos dos críticos leitores. Ou eles a encontrarão? Haverá um caminho entre os dois pólos e apenas uma verdade, a que decidirá se morrerá silente ou sobreviverá no burburinho das avenidas literárias.



    Vivemos Isso...





    Há misteriosos critérios divisores frente aos últimos acontecimentos que nosso país tem vivido e vivenciado. A força do Estado parece sangrar diante do crime organizado. A sensação que tenho é de que pouco poderar ser feito a curtíssimo prazo, antes que mais inocentes morram. São Paulo virou uma praça de guerra – Alagoas amedronta com os alarmantes números do aumento da criminalidade. Viver com segurança tornou-se coisa difícil de conseguir-se.
    A República mergulhou noutra história. O mensalão, as denúncias contra os altos governantes que foram engavetadas, os desmandos do governo, a violência na rua. Soa tudo isso como se o Estado estivesse, entorpecido, distraído da lei, com preguiça ou medo agir. O governo, desde à noite fatídica em maio último no Estado de São Paulo, parece contentar-se com uma possível inferioridade diante dos velhos inimigos que, agora, recrudesceram suas ações, mais violentas, do que mesmo atrevidas.
    A sociedade precisa de Deus. As informações do mundo moderno têm levado o homem a rumos os mais diversos. Absorver as diferenças no que é bom e no que não presta, acho, é a tarefa mais difícil a ser feita, principalmente pelos nossos Jovens que acordam e dormem assistindo aos perversos programas de televisão onde se faz a apologia ao lado menos lícito do viver desejado. Vivemos um outro tempo onde o pecado tem um sabor bem mais aceito pela sociedade, do que a oração, a amizade, o amor ao próximo. O que estamos a assistir, nada mais é do que o reflexo do que plantamos no passado.
    Tudo isso pode ser deletado e a sociedade passar a viver dentro de outros valores mais decentes. É óbvio que a modernidade nos traz coisas boas, avanços magníficos nos campos da ciência e da tecnologia. Não queremos aqui defender o marasmo da época da Pedra Polida, nem tampouco defender o Carnaval da Carne, da Pós-Modernidade.
    Defendo a realização de movimentos sócio-culturais onde se possa dar permissão para que aconteça uma verdadeira revolução de talentos. Sairmos dessa indecente e subvertida escola da violência urbana – agora já rural – , atualizando no próprio homem sua tendência à convivência fraterna.
    Diante de tudo isso, resta-nos recorrer aos valores da família – célula-mor – de toda essa reconstrução proposta. Os bons valores sociais de ontem estão se apagando. Os jovens parecem não mais crer em um mundo com Deus, mais ajardinado e livre dessas mazelas que a televisão e os Jornais têm noticiado com tanta freqüência .
    Para onde foi a paz? O bom convívio social foi engavetado. O homem nunca esteve tão lobo de si como agora. A vida está mais parecida com um grande palco de guerra: não se sabe quem mata e porque se mata!
    Um mundo sem coração, sem fé, sem amor, o único caminho que pode seguir, é o da luta fratricida. Pai matando filho, irmão matando irmão, tantas lágrimas divisoras de pecados que bem poderiam ter sido evitados.
    E o futuro? Engendremos agora. Desenhá-lo com o perfume do coração, ser-nós-á a única saída. Sejamos sábios de nós mesmos, paremos o tempo de fazer-se a maldade e invertamos o giro das cousas desconexas. Dentro do homem há um lindo jardim: regá-lo é a única opção que temos para assistirmos a primavera de uma grande mudança, e aí, retornaremos a enxergar as flores, as borboletas e os colibris há nos sonhos de todo o homem que vive em paz com o mundo onde habita.
    O mundo precisa de paz e amor. Não foi por acaso que Jesus, virando para seus discípulos, disse, que o maior dos mandamentos era amar a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo. Eis o remédio. A receita foi dada! Não nos será tão difícil mudar o rumo das coisas e melhorar o mundo!




    Envelhecendo...





    E a velhice, esse inclemente, impiedoso e indesejável fim de linha da mortalidade, continua a excitar e incitar cientistas, religiosos e outros estudiosos, de todas as partes do mundo, na tentativa de encontrar o desvendamento de seus mistérios e construir de desvios que nos ponham em caminhos contrários a ela, presenteando-nos com uma longevidade sadia.
    Mas o tempo continua a mostrar-nos seu poder misterioso de transfigurar o corpo e amadurecer o espírito, deixando-nos passar pela sua própria estrada existencialista, os segundos, os minutos, as horas, os dias...,toda a vida, para registrar sua impiedosa marca de destruição – o envelhecimento do corpo.
    O medo da morte é avassalador: traz-nos a saudade dos que ficarão e a pressa no cumprimento de nossas necessidades mais puras, a de passarmos a outrem o que esse nosso tempo ladrão deu-nos de presente com a vida.
    A velhice é certamente um irremovível fim de linha, última estação antes da parada final, quando os trilhos não nos permitirem mais decidir a vida por nós mesmos: lugar-comum para agnósticos, incrédulos e crentes, onde uns encontrarão um novo começo e outros, o fim de tudo, ou simplesmente o absolutamente natural para tantos. Sonda-me neste lugar misterioso, o discurso da fé, apenas o pó da salvação para os que alimentaram dentro de si a crença em Deus.
    Na vida há tempo para se cultivar o desalinho dos nossos pensamentos e as gargalhadas do prazer. Alguns vencem, outros caem nos báratros do marasmo. Tantos procuram sobreviver nos portais da desilusão da solidão – tristeza profunda onde não se pode enxergar as estações da vida, onde só se enxerga a sombra descarrilhada do próprio abandono. Para esses o trem nunca passa e a estação é velha, obsoleta e escura, brumada, inútil.
    A hora aprazada jamais se perceberá. O presente inesperado, ninguém quererá recebê-lo. Mas a morte revela sempre sua porta obscura, quando o mar da velhice não oferecer mais um corpo cheio de ondas viçosas, quando o primeiro já não for o instante último e os olhos, rijos das paisagens, ensombrearem-se pelas lágrimas da dor e pela indiferença que a tristeza do fim de tudo pode oferecer-nos.
    E, afogueados pelas labaredas desconhecidas, alguma coisa vai ardendo na desilusão de nada se ser mais, improduzir, voltar a certos desalinhos da evolução.
    E quando não pudermos mais sonhar e tudo for desesperança para o corpo, o barco levará o pó para o pó e a alma para passear em prosa e verso sobre as ondas dos mares misteriosos dos que creram antes de envelhecer. Quando a morte chegar à minha porta, saiba ela, terá que chorar em minha sepultura para pagar por mim o imenso amor que tive pela vida!
    Orfânica, ficará minha última prosa incendiada pelas brasas dessa finitude ingrata. Posto o féretro cheio de jardim esquisito, mesmo que adorem o lugar e seus transes de lembrança, estarei em outra plaga, feliz à beça, por ter onde achar a felicidade. Morro aqui para, por lá, depreender dos novos ares, como realmente um poeta pode dirigir-se, a pedir vida a essa tal felicidade. Envelhecer, sim, eu sei; morrer eternamente, só para os incrédulos e desalmados. Esta vida nos dá sabores novos de outras, como também o olfato da velhice nos presenteia com o perfume da eternidade.




    Cousas que mudaram!






    Casa de amigos, líricos caminhos antes duma chegada entre abraços e gargalhadas de carinhos e afetos.
    A casa dos amigos está sendo demolida, a amizade, descompromissada com tudo. É o mundo mudando para pior. A família se desestruturando e o respeito tornando-se o pó do mico que se paga quando se é fidalgo, gentil, com as pessoas que já nasceram desconhecendo os antigos e finos tratos sociais. O mundo de ontem era repleto de cortesia e respeito. Saudoso tempo que o vento levou para bem longe do bom convívio social.
    Nossa memória nos faz lembrar as mudanças para pior. Não sei se tais lamentos revigoram a esperança em trazer de volta o melhor já ido, há tempo. Mas sempre fica alguma coisinha no ar, mesmo que apagada, bruxuleando sem ter sorte, sem ser vista e apanhada pelos Samurais do resgate social, aqueles que ainda acreditam em um mundo diferente, voltado para a convivência fraterna entre as sociedades das mais diversas culturas. Haveremos de buscar o cheiro e o sabor dessa esperança apagada nas sombras dos valores sociais esquecidos.
    Virgulemos uma nova narrativa que traduza nosso convívio escondido lá no âmago de nossa alma. Não desacredito nisso. A essência do homem é boa enquanto criatura civilizada. Não nos deparamos mais com o homem da idade da pedra, mas o da cibernética, o viajante das naves espaciais, o mergulhador da física quântica, o construtor da utopia do ontem, hoje realidade maltratadora.
    Fizeram o avião voar bem mais alto e veloz que a Águia e o Condor. Temos enviado ao espaço, fora do nosso sistema solar, artefatos registrando, através de ondas, informações sobre nossa civilização terrena. Por que não sermos capazes de alcançar uma grande mudança para que nossa sociedade volte a ser servida pela fraternal convivência do ontem? Aqui, regressar poderia nos representar um grande avanço. A violência bem que poderia envergonhar-se da paz, do amor entre os homens. Que esse, sim, possa ser o cotidiano de uma novíssima história para ser contada e vivida por nossos filhos e netos.
    O sexo tem destruído nossos jovens; as drogas os transformado em loucas vítimas mortais; o mundo, como um todo, passou a ser uma grande escola de egoísmo e de perversão.
    Não poderia traduzir como vivem um agnóstico ou até mesmo um ateu. Mas, sem Deus, a humanidade está fadada a viver em um grande e veloz redemoinho de espinhos que, se levar o homem, só poderá transpô-lo a um báratro de miséria, onde a vida será a maior mentira de sua própria morte visitada, no dia-a-dia do que ele pensar estar vivendo. Morte certa!



    Recrio-me na Literatura.





    Nas memórias de minhas vírgulas, espaceiam minhas lembranças, próximas às curvas dos meus parágrafos. Pontuo a dor de tudo, parafraseando histórias mal contadas e lidas, entre travessos travessões que, vez por outra, andam, mudando o sentido de tudo o que separo de bom para exemplarmente servir-me adiante.
    A Literatura deixa-me ser o narrador de tudo o que desejo e entre as personagens criadas e soltas às páginas, desmandam e prendem de minhas releituras, faço, entre o medo de assustar-me com o não dito, mas fixado à pagina branca do papel, cômplito de tudo desenhado, e o prazer de ter, falsamente crido, que criei algo e pus no mundo como se um deus eu fosse. Tudo vem de algum lugar para se misturar à frente de minhas retinas encharcadas ou não do que, antes de escrever, narro para mim mesmo, como se quisesse inutilmente castigar-me, censurando o limbo do meu verbo criador. É por isso que posso gargalhar de minhas dores dementes dos sentidos, mas profundamente autênticas e fiéis aos meus outros sentidos álmicos que forgeam viver em labirintos e entranhas onde vão os que lêem o que escrevo desencabuladamente, vindo de onde mora uma coragem que é bem maior que minha consciência. Trago-a à tona, sem náuseas, mas sem freio nenhum acreditar possuir.
    Chega-me o verso segundo, e nem noto que saltei da prosa à poesia. Cantarolo dores e sonhos, armo castelos e estou dentro de um conto que nunca esperei de poder contá-lo para tanta gente: é que o livro estava pronto e o ponto final não me havia deixado crer nele, e pedia a presença das reticências e, para que não ficasse desgostoso o meu inconsciente, brinco comigo mesmo e safadeio com certo narcisismo muito bem controlado e desenho um ponto e vírgula e posso traduzir que mudei até de gênero literário e digo que tudo o que escrevi está aspeado, como se o leitor não houvesse inteligentemente, antes de minhas pretensas aspas, colocado as suas, coroando o texto e o meu pretexto de pensar saber o que estava deixando ser entendido com o texto em desalinho, com o meu próprio caminho ligando o homem escritor ao homem personagem – essas duas tão doces e interessantes criaturas vindas de mundos tão proximamente longes, metáfora saborosa da maior parte do que fixo no discurso escrito, como se estivesse a encher uma deliciosa tripa de lingüiça. Mas aí fico sabendo que me faltam o sal, o tempero, o óleo, a caçarola e a própria fritura. Paro, penso, releio, e só aí sinto vir pelos ventos da literariedade o que foi posto no tempero das frases e o que não pôde ser-me permissível, porque me falta muito saber para, ao invés de tripa encher, fazer maior literatura. Não há maior escola literária para um escrivinhador que pleiteia ser um dia um bom escritor, do que aconselhar-se com o seu próprio texto e compará-lo com os outros tantos lidos e relidos mesmo que engendrados pelos que magicamente acreditam que tudo o que escreveram está perfeito.
    Entendo e gosto do seguinte entendimento: é para o leitor que escrevo as minhas histórias, e é para mim, apenas para mim, o que bem dizem ou mal dizem delas as palavras daqueles.
    Continuo apaixonado pela Literatura – esse maravilhoso mundo onde podemos ser de tudo um muito.


    O Homem é o que lê!





    Magoa-nos esta maldita enxurrada de notícias ruins, desde as sanguessugas às anacondas, passando por mensaleiros, ambulâncias e tantas outras coisas mais. Parece que virou um axioma ser-se subtraidor do dinheiro público. Das duas, uma: ou se está facilitando demais a roubalheira., ou o país, muito empobrecido, aderiu ao Deus nos acuda e todo mundo está partindo para o desespero do rouba-rouba.
    Há uma alta escada nacional, onde cada degrau representa um tema importante a ser tratado. A falta de coragem de nossos governantes em enfrentá-los, faz com que optem por pular de três em três degraus. Quando não se esborracham no chão, chegam logo pertinho das estrelas e brilham no descanso da impunidade. Como os temas mais urgentes – suas decisões – são impopulares e retiram votos, eles continuam a jogar sob o tapete da República e assim vão escondendo o lixo que, mesmo sem feder tanto, um dia vem à tona e fere a sociedade limpa dessas mazelas.,e esses miseráveis não sofrem quase nada.
    Há certas indigências por grandes idéias. Os homens públicos estão ensurdecendo diante dos grandes ideais de ontem. Exauram-se por permanecer em cima do muro, envergonhados, mas a estampar na face o falso sorriso do “mea culpa”.
    A Operação Dominó envergonha não só Rondônia, mas todo o país. Tive pena e nojo ao ver um Presidente de um Tribunal de Justiça ser preso por falcatruas. Está havendo um desequilíbrio entre os poderes constituídos. O pudor, a ética, os bons costumes, tudo isso está descendo rio abaixo. A tradição purista dessas instituições está sombreada. A lisura para com o trato com as coisas públicas foi relegada a um segundo plano. A ordem se inverteu, e o crime fecundou tanto essa terra infernal que criaram, que já pode, se quiser, construir uma República paralela. Será o caos que, ao meu ver, já está erguendo seu palácio Real. Pelo menos, exército para defender a desordem dessa nova criação, já há o suficiente para manter a desordem operante e bem definida.
    Não se está cuidando mais, devidamente, do nosso país. O Capitalismo Selvagem parece ter transformado a relação afetiva entre os seres humanos numa máquina mortífera, desviada de todo e qualquer valor moral e ético,comprometido com a própria essência existencialista do homem.
    Há um jogo! A bola da vez está apenas com o mais rico que, naturalmente, é o mais poderoso. O pobre serve para não ser exterminado. O que gritar muito alto poderá até escapar por força de sua evidência. Os mesmos que roubam e matam, às vezes, por um temor estranho, protegem os miseráveis que estão forçosamente do outro lado do jogo. Na mesa, só tomam assento os que fogem das regras sociais, descumprem as leis e têm o poder e a força para se impor além das cartas do jogo.
    Acredito tanto que o homem que lê e abraça a Literatura, possa mudar o mundo, que me alegro, até ousadamente, vindo-me à mente o grande escritor alemão Hermann Hesse, e uma de suas últimas obras: O Jogo das Contas de Vidro. Esse romance faz-nos viajar exatamente por caminhos de um mundo extremamente oposto, onde a fantasia da ficção faz-nos sentir que a nossa grande esperança em mudarmos para seres mais dignos, passa por enveredarmos pelas grandes leituras. Aí, logo me entristeço. Lembro-me de que nosso país é um país de semi-analfabetos e os que fizeram até o curso superior, desses, poucos lêem o que merecidamente foi feito para esse fim. E agora? Resta lembrar o velho lobo Brizola – discurso tão repetido atualmente por um dos candidatos à Presidência da República – a solução para todos esses grandes problemas nossos, problemas esses que têm tirado o sono da sociedade, está numa revolução chamada EDUCAÇÃO! Ou iremos a ela ou morreremos por sua ausência dentro de nossas almas. O homem é o que lê.


    PCC e a TV Globo





    É guerra mesmo! A facção criminosa do PCC venceu. A sociedade estarrecida ouviu a notícia imposta pelos bandidos facciosos. Era a condição para se libertar o funcionário da famosa e poderosa Rede Globo de Televisão que, nas mãos daqueles, ficou pequeninha tal qual formiga na beira do mar. Acabava a curta história do seqüestro de um repórter e um técnico da TV Globo. Notícia dada – risos no mundo escarlate do crime organizado.
    Já pensaram se essa coisa pega? O PCC tentou e venceu. Doravante esse poderá ser o meio mais fácil para que seus discursos maquiavélicos possam ser publicados. Esse seqüestro, poucos nem enxergaram ainda, foi um atentado político, isso sim! O poderio dessa facção criminosa está migrando do fogo das armas para o braseiro da mídia poderosa. Contudo, há de esperar-se bem mais dessa gente transviada da lei. Lula em campanha, Lembo moroso, Presidente de Tribunal de Justiça preso, bandidos candidato. É esperar-se agora o quê, de quem? Estamos atolados no terror. Estão construindo o nosso Hesbolah. É uma pena que o crime organizado esteja andando bem mais depressa que o Estado.
    Abriu-se um pretexto tão perigoso que, agora, existe uma ampla avenida – quase aléia – pronta para deixar a notícia do crime e, pelo crime, transitar.
    Eles disseram que apenas os governantes e a polícia estão em sua mira, mas seqüestraram exatamente dois trabalhadores inocentes. Assim não vale. A covardia foi duplamente efetivada. E um jornalista não pode ter porte de arma, não tem direito a segurança particular, não tem sequer o direito de ir à luta, catar notícias e ganhar o pão de cada dia. Tim Lopes foi, quantos outros Tins deverão perecer para que o Estado cumpra o seu papel responsável? A sociedade está entendendo que há um novo sul do Líbano surgindo no sul do país, talvez muito mais agitador do que os fanáticos religiosos do Oriente.
    Ameaças de bombas, queimas de ônibus, seqüestro de jornalistas, prisão de autoridades ladras, aumento da exclusão social, crescimento do crime organizado, crescimento econômico pífio do país, segurança, saúde e educação no limite do imprestável! Quem governa este país? Como está governando? É democrático o gesto cedido pela TV Globo espantando a sociedade ao anunciar uma notícia de tal magnitude? A que ponto chegou o Brasil, frente ao crime organizado. É uma vergonha nacional. Temos agora a TV Al Jahzira que presta serviço ao PCC, divulgando suas reivindicações. Tudo isso porque a segurança pública foi ao beleléu. Até onde iremos? Ao meu ver, a vaca já está atolada no brejo da insegurança e do crime organizado
    !


    Balaio de Gatos.





    Alvos de intimidação não nos faltam. Nossos passos fazem-se temerários, porque o medo é o maior alimento que temos deglutido sem degustação, apenas pela imposição dos maus tempos criados por bandidos sorridentes que até programas na televisão passaram a ter!
    São protagonistas imediatos, mas não apenas isso. Abriram um espetacular canal de comunicação. A deixa da TV Globo poderá ter-se transformado na mais escancarada porta de comunicação para o crime organizado publicar suas fantasias satânicas. Essa ação poderá desdobrar-se em inúmeras outras, piores, mais ofensivas até. Foi o primeiro elo: a corrente pode custar-nos o restinho do sossego. O PCC evidenciou-se dois dias antes do horário eleitoral gratuito: coincidência ou sobreaviso? Quem diria: um bandido encapuzado, representando a maior organização criminosa do Brasil, clamando por justiça?
    Acho que a cidadania está descarrilhada e o país está perdendo o último bonde da recuperação da paz e da ordem sociais. Parou no ponto, tateando aterrorizado.
    Essa névoa maligna que está deixando baço o olho do Estado, nada mais está fazendo do que alimentar o caos social e energizar a bandidagem.
    Tudo mudou! A China, esse gigante de gente, de idéias e de desenvolvimento, representa o maior importador mundial de moda. Pode? Que modelo de socialismo eles estão construindo? O dinheiro do capitalismo que eles chamam de desregime, está enriquecendo a China e mudando a vida por completo de seus cidadãos. Eles estão se esquecendo de que as suas insuficiências de alimentos, energia etc, dependem do resto do mundo e essa, a meu ver, é a maior vulnerabilidade daquele monstro do desenvolvimento. Não sei o porquê da pobre e suja Coréia do Norte permanecer alimentando a burra idéia da fabricação de sua bomba atômica e, com isso, isolar-se do resto do mundo! A miséria norte-coreana é coisa além de lamentável. O país está morrendo de verdade. A ditadura está retirando-o do mapa.
    A gente inicia uma reflexão profunda sobre o mundo atual, e a própria reflexão que fazemos nos desorienta. Valores, de um dia para o outro, se transformam em desvalores, conceitos mudam, decisões não são mais para serem cumpridas, a lei não é mais lei. Tudo fica muito confuso e aí entende-se que a cultura anda transitando tão rapidamente, que o resultado de tudo isso é uma transculturação que, em alguns pontos do mundo, chega mansa e é aceita facilmente, enquanto noutros, cai como verdadeiro Tsunami.
    Ao meu ver, o maior abacaxi que o processo de aculturação – melhor dizendo – a transculturação –, está provocando, acontece no Oriente Médio. A China vem tirando de letra esse processo todo, mas o Oriente Médio vem cobrindo ainda mais com o véu, suas mulheres oprimidas por ditames religiosos que, até me provem o contrário, são excessivamente interpretados, pondo em xeque a própria liberdade do ser humano que habita aquelas plagas. Estamos diante do samba do crioulo doido, mas parece que quem vai adoecer mesmo é o cão, porque o homem, hidrofóbico, continua nessa cachorrada de vida de cão, abraçando o ódio e algemando os últimos nacos de liberdade e de esperança de quem tem pensado na vida e no mundo de forma mais civilizada.



    Reflexões da Rotina




    Andamos pelos mesmos caminhos onde as serpentes andam. Sob as árvores onde as cigarras secam de cantar em prol dos tempos verânicos. E sobrevive esse canto, tanto e tão forte que retorna após a chuva da invernada, quando o sol vem novamente arder no tempo e secar até a lágrima. E o sentimento fica da cor do tempo.
    E os mortos, sujos da terra, não podem admirar a luz da alvorada. Acabam-se apenas pelo que lhes levam o tempo voraz dos micróbios esfomeados nas distâncias rasas da terra, donde brota tudo, menos o que ali fora enterrado de humano e poético.
    O título do meu título está nos efêmeros instantes das horas, dos minutos, dos segundos seguidos por uma espera contínua de esperança em novas visões, em mundos mais luminosos. As palavras dos sinos nos fazem chorar, e um que morre acorda um que vive.
    Estralam-se os beijos evidenciando os tártaros do descuido – tártaro, muitas vezes da dor dos deseleitos da sorte. Elejo então a minha morada no mundo do mundo, onde meus olhos vêem com seus corações e minha palavra tira a fome alheia e na aléia, passeia, com vontade de mudar.
    E um mar azul e verde, cheio de beleza vem falar comigo nas tardes serenas de minha famosa Pajuçara – como mito entristecido com os perversos óleos dos navios que passam fundeando a sujeira do desamor dos homens.
    E numa triste ronda, continua o peixe pescador a mergulhar e matar a sua fome, fome de respeito pelo homem que mata o homem e o peixe desassossegado.
    Qual faquir triste, deito aos pregos de espinhos, pesado de raiva e nem tudo passa, e sangro, e choro e adoeço.
    E o pecado adorna a carne e é vasta a falsa alegria dos que floreiam o invisível belo, chamando o vício e a morte para mais distante da moral de qualquer céu de praia. E esse pecado triste, escrevo e o mar já vomita as ondas, e a chuva chora e chega-me o sono e quando acordar nem sei se lá estará o mesmo mar ou, se desviado, será comporta doutra estrada, a que não vejo, a que não ouço, morto estando eu, sob tudo o que vi redesenhar o homem como se fosse ele dono do mundo, dono de tudo.
    Estranhos jardins – esses meus sonhos. Avanço as ruas, cruzo os horizontes, faço viagens abstratas. E o meu choro vigia a minha dor enquanto durmo sono de pedra a levar-me para outros mundos.
    E o meu fantasma ronda até a madrugada, manda ir-se o tempo, mas a hora é outra vez chegada e meu quarto é invadido pelo vento, apenas pelo vento, trazendo um raio fresco do cheiro das flores secas, ainda perfumadas.
    E o mar é minha memória viva, retrato de um tempo eterno de infância, de areias alvas, água límpida, navio longínquo rareado nas imagens dos olhos. E as algemas tiram tudo. Esteiando-me em minha renúncia, faço da dor meu desabafo, lembro-me do tártaro, os ouvidos ouvem dessa mesma dor sua cantilena. Que pena! O mar secou, as ondas agora são de fumaça na moldura do retrato, onde vive a traça que tudo traça, até meu lindo navio de esperança.
    E as estrelas descem candentes a dizerem do céu invadido, cheio de ferrugem e de perigo. E fico neste fim de prosa porque as palavras só podem ter as minhas pernas e estas, já cansadas, preferem dormir com a madrugada porque o outro dia já passou e... o mar..., não sei do mar! Nem sei se de mim, o sou, ou estou ainda em qualquer cais de amor ou de desesperança...



    O Apocalipse chegou !



    De norte a sul do planeta – e agora não é mais do país – vê-se a agonia dos seres frente ao clima que, começa a transformar-se em um inimigo da vida. Cansamos de ouvir que corríamos perigo de morte se continuassem a destruí-lo. Não ligamos ou ligamos pouco demais e aí está o resultado.
    Números nada luminosos indicam que quarenta milhões de seres humanos no planeta estão infectados pelo vírus HIV e, a cada dez segundos, mais um ser, inocente ou não, é contaminado por ele. A maioria dessas criaturas está nos sublugares africanos, onde se sobrevive à fome miserável e a salários que se inferiorizam a um ganho diário de centavos de dólar. Essa é a rapa do tacho do planeta. O outro lado que toma uísque e champanhe mora nos belos arranha-céus das capitais ricas, com os mesmíssimos riscos de sofrimento e morte gradual, nem tão lentos, do planetinha água suja.
    Esse é o mundo que estamos acabando de construir no desaviso da ambição e da falta de amor ao próximo. Mundo onde se presencia, meio ao crime e ao terrorismo feito em nome de Deus, os escaninhos de uma justiça morosa e, em certos momentos, parcial, visionária e subordinada à elite branca - poderosíssima força que habita no controle de tudo!
    Dispenso-me de citar os nomes dos principais responsáveis por essa catástrofe planetária, porque a hora é de união e força para salvar a nossa grande morada. Isso se é que a recuperação possa vir de tudo. Acho que de muitas coisas, só nos sobraram cicatrizes amargas, para que não esqueçamos jamais que um dia fomos assassinos de nos mesmos.
    Eu li em certo jornal conceituado que o presidente Lula havia ido a um hospital por ter apresentado uma irritação nos olhos. Isso foi manchete midiática. Esqueceram-se de ver o que está acontecendo aos olhos do país, ao meu ver, coisas bem mais importantes, e com o planeta, é bom nem se falar.
    Estamos convencidos de que a situação climática do planeta é absurdamente urgente. Há de fazer-se muito e logo! Manda-se andar em transportes coletivos para se economizar energia. E nesses, a morte não tem andado mais depressa? Os assaltos seguidos de morte, etc? Então, vê-se que é necessário engendrar-se certos acertos para que a sociedade possa colaborar melhor. Economizar água em casa. Isso só depende de nós. Estamos dentro de uma grande UTI planetária,e os médicos e paramédicos também estão adoecendo. Haverá remédios, mas não quem os aplique. Ser-nos-á então o Apocalipse? Nem sei se exagero quando me arrisco a anunciar essa pergunta.
    Cacemos a paz duradoura, o futuro luzidio sob o céu claro e estrelado. Não teremos mais tempo para o desperdício. O planeta deixou de gemer para urrar. Somos os únicos seres da terra nós humanos, que poderemos fazer esse retrocesso de vida e retornar aos trilhos da vida saudável outra vez.
    Nossos irmãos brasileiros que não estavam suportando a situação particular e difícil de viver no país, agora olham para o mundo e sufocam-se. Nos últimos cinco anos, entraram apenas nos Estados Unidos da América mais de setenta por cento deles, – representando a estatística dos que saíram daqui desesperançados e la ingressaram como ilegais. Os que puderam ir legalmente, esses não se sabe ao certo quantos foram. Saíram de mala cheia, bilíngües, preparados para usufruírem das belezas do velho continente ou da América Rica.
    E então, vamos começar a faxina geral? Se corrermos o bicho não pegará mais, porque está cambaleante ou morto. Se ficarmos, poderemos morrer algum dia após os outros bichos. A morte está anunciada. Nada mais sério nos poderia estar acontecendo. Os Tsunamis da Asia foram os avisos mais importantes que a natureza nos deu. Esta é a vez de evitarmos que o Apocalipse nos chegue bem antes da hora e de tudo!



    Eleições Novas


    E vem à baila a mesmice eleitoral, e os problemas são os mesmos – velhos problemas esquecidos nos interstícios das eleições – e o enganoso discurso sobrevive à mesmice do seu marasmo, embota em si mesmo e o homem, ainda pensando ser cidadão, traveste-se de eleitor e vota, como se isso lhe fosse exclusividade de valor, ato que fosse ser honrado por quem eleito fosse.
    Antiqüíssimos problemas sociais vêm avolumando-se através do tempo. Promessas hipócritas, trabalhos de ladroagem, respeito nenhum ao eleitor. Eles agem nos porões da “Corte”, cegam-se neles próprios e, metendo a mão no erário, zombam da própria República! Só há uma hora de cortarmos esses velhos e rabugentos políticos ladrões: nas próximas eleições. É a hora da degola, quando só a verdade viva poderá ser deixada sobreviver. O passado dos porcos que fique no abate de suas próprias consciências. O novo há de ser testado após a escolha firme, por voto mais firme ainda.
    Assusta-me, como cidadão alagoano, poder ser legislado por uma Assembléia de homens descompromissados com a paz. Criminosos falam de falta de segurança, e bandidos sobem em palanques misturados a um punhado escasseado de candidatos diferentes – alguns destes –, que ainda serão testados pelas urnas e pelo laborão em prol da sociedade.
    Em um Estado carente de intelectuais como o nosso, cheio de fome e de pobreza, quais tipos de candidatos poderemos esperar sejam eleitos? Há um mau cheiro enorme no ar! As promessas barulham e fedem. Os cartórios continuam e, o que é pior, cada vez mais violentos e perigosos. A ameaça física e psicológica ainda deverá ser a maior força que empurrará o eleitor esfomeado às urnas. O homem simples, o campesino, continua totalmente marginalizado e dependente dos favores dos odiosos desses mesmos currais eleitorais.
    Acho que nem as orações servirão para tudo. Em cada urna estará um demônio imantado a iludir consciências. O poder político e o econômico ainda serão os maiores compradores de votos. A República está assim; essa é a prática da hora, o escândalo do passado e a desesperança dos que estão pensando no futuro.
    Mudemos e mudemos para melhor. Viver a orfandade de representação, eterna orfandade que nós, eleitores, damos a nós mesmos, favorecendo aos postulantes de cargos eletivos, não poderá sobreviver ao próximo mês de outubro. Deixemos que os ‘maus” tornem-se os perdedores e que suas histórias voltem a passar apenas à condição de eleitores a sentirem quão difícil nos foi escolhê-los por engano e perdermos tantos anos de desenvolvimento.
    Mas o fantasma dessa doença chamada “candidato ruim” vai e vem – retorno ousado, porque não há toda a lei contra eles e forgeiam, nas molduras dos tempos de eleições, o retrato da mentira, da preguiça e da roubalheira!
    Na nova lousa, hoje que o tempo nos permite mudar tudo, exerçamos a democracia nas urnas. Não é necessário pedir segurança para votar. Basta-se deixar na ponta do indicador de uma das mãos a coragem consciente para fazer o que o retrato eleitoral deste país e deste Estado, até hoje, não apresentou: a vontade legítima dos homens de bem, esses cidadãos que sempre foram trapaceados.
    Eles são árvores de estranhos frutos. Brasas de olhos fechados. Perversos donos da cantilena dos maus. Retrocesso de qualquer golpe que nossas vontades iludidas nos deram até hoje!
    E a esperança está na mão mestiça da fome e do desemprego, na coragem das vozes que até hoje clamam por justiça e nos novos valores que surgiram nos dias atuais. Que o tártaro indevido e cruel do passado eleitoral não seja mais a tempestade que arrebata os justos, escondendo-os do dever, em prol dos bárbaros que safadeiam com suas ações nefastas. Elejamos nossas últimas esperanças, numa única esperança nova: a de mudar-se este país para melhor. Façamos isso por nossos filhos.




    Política Nacional do Clima



    Na China, a leste do continente, em Donghai, província de Jiangsu, policiais chineses prenderam strippers que estavam se apresentando em um funeral de um fazendeiro. Esse fato é comum naquela região, não o da prisão, mas o de dançarem nus durante os velórios, como forma de atrair-se muita gente para velarem o defunto. A cultura é um espetáculo. Veja que forma de chamamento mais escandaloso, para nós, aqui do Ocidente, mas tão natural nessa região. O governo comunista chinês, nos últimos dias, tem tentado frear essa prática.. Fazer uma censura a um processo milenar de prática, certo ou errado? Aplaude-se ou bane-se essa oferta de incentivo fúnebre? Avalie em um genocídio, quantos strippers seriam necessários para prover essa prática cultural. Antes lá do que aqui. Imagine nossos cemitérios ou casas funerárias cheias de gente nua, dançando. Quantos brasileiros não se fingiriam de mortos para tudo observar bem de perto, um espetáculo que só é permitido de acontecer em dias de funerais?
    Melhor isso, que a falta de uma política governamental nacional, para olhar de perto as mudanças climáticas por que passa o nosso país, desfavoravelmente submetido, por possuir a maior floresta tropical do mundo e um dos maiores mananciais de água doce. O Green Peace bem que poderia contratar strippers para distrair a atenção dos maus brasileiros que querem e estão conseguindo acabar com nossas últimas reservas florestais. O que na China se usa para se atrair vivos para os mortos, aqui seria usado para evitar que os vivos matassem. Daria certo. Era unir o útil ao agradável. Afinal, as secas e as inundações, eventos esses advindos do famosíssimo efeito estufa que, alicerçado na emissão exagerada do dióxido de carbono, tem levado o planeta a tossir e engasgar-se, frente às agruras da poluição desenfreada, nossos irmãos têm feito. Política Nacional Já! O país não poderá mais ficar ao relento. Não seja novidade surgirem as línguas de fogo de nossos vulcões, historicamente adormecidos.
    Enquanto isso, nossos cientistas, mundo afora, acabaram de descobrir o que há tempo desconfiavam existir, uma ditosa matéria conhecida como “Matéria Escura”. Observando através de um telescópio a Raio X, nos Estados Unidos da América, uma colisão cósmica, puderam provar esse, até ontem, misterioso fenômeno. Ela é capaz de exercer uma força gravitacional mas não de interagir com a matéria comum que nos compõe, como também, a terra, os outros planetas, as estrelas, etc. Quando li sobre essa matéria da “Matéria Escura”, pensei comigo mesmo, em meus solilóquios teológicos: É o homem chegando mais próximo de Deus. A ciência buscando a outra parte do mundo para entender que a eternidade e o infindável espaço do mundo não podem pertencer a qualquer tempo ou espaço que nós, humanos, possamos criar. A ousadia da ciência limita-se nela mesma. O tamanho do homem é infinitamente menor que o tamanho do seu poder diante do Criador. Quanto mais ele adentra o espaço sideral, maior respeito terá ao que é infinitamente maior do que ele. A “matéria Escura” poderá até explicar a existência de uma quarta dimensão, quem sabe, a dimensão dos espíritos, já que ela penetra a matéria de nossa dimensão de vida, como se fosse um fantasma. Limita-se com a gravidade, mas não se modifica ao trombar com a matéria por nós velha conhecida. Que a “Matéria Escura” venha mesmo clarear outras dimensões que não só as parcas existentes em nosso microscópico currículo de curiosidades e descobertas.
    O sentimento que me desperta é o de que o homem está indo em busca do que poderá limitá-lo como ser vivente em sua já conhecida dimensão. Seria o arrebatamento do ser humano para outra paragem, quiçá não nos seja a espiritual.
    Quanto à mudança climática, a falta de uma política nacional para ela, isso não é nada ilimitado que a vergonha na cara de nossos governantes maiores não possa fazer. É botar a mão na massa e, diferentemente da outra massa, a escura, limitar o que é possível fazer ou não, agendar fomentos e livrar a população do advento de maiores males – os temíveis que ainda estão por vim!



    Parlamentarismo e o voto certo!

    Acredito estarmos vivendo a hora e a vez do Parlamentarismo brasileiro. O atual sistema político está acabando com o país. Basta apenas observar-se o que representa para os cidadãos mais sérios as eleições, como elas têm-se-nos apresentado nos últimos pleitos. Estaremos elegendo um presidente com o voto direto, pela quinta vez consecutiva. Tempo mais do que suficiente para se saber que não aprendemos quase nada com isso. A compra de votos, os escândalos envolvendo grande número de parlamentares eleitos com nossos votos nesse mesmo processo eleitoral falam bem mais fortemente do que apenas nossas palavras textuais aqui lidas.
    Há um gestor da banda podre do governo republicano? Estamos, eu creio, meio a uma favelização partidária, ruína dos costumes morais, queda dos valores democráticos mais básicos. Vende-se o voto a quase todos os candidatos por dinheiro e outros modos aéticos. Quem ganha, em sua maioria, não representa a vontade limpa e cidadã dos eleitores. A fome e a exclusão social é que apetecem a venda desses votos. Infelizmente, esta também está sendo uma forma ilícita de distribuição de renda.
    Vivemos a solidão das grandes idéias, o martírio dos que defendem um país sério e digno para seu povo. Nossa soberania vive ameaçada até por índios venezuelanos que, com suas mãos explosivas nas torneiras dos gasodutos de seu país, carnavalizam seus protestos. Vivemos, assim, uma solidão enfadonha demais de ser administrada. Queremos um país emergente que cresça bem mais do que esse pífio índice desmerecido por quem almeja criar milhões de empregos para sua juventude e garantir aposentadoria para seus trabalhadores aposentados, depois de um fatigante labor de décadas.
    O país parece ser uma paragem declivosa. Um comboio grande de maus brasileiros fomenta o desgoverno com suas ações de ladroagem e desméritos. A tudo isso se acresça, ainda, o lodo enganoso que o governo oferece aos excluídos das periferias do Brasil miserável, como esmola, como piedade, como pena. O brasileiro precisa crescer sem necessitar de migalhas que, muitas vezes, são dadas em troca de favores eleitorais e outros ainda piores.
    O Brasil nunca careceu tanto de um bom administrador como agora. Um homem que gerencie nossas crises e aponte suas reais soluções. Um ser que, na permanência de um erro de liderança, possa ser posto para fora do cargo e substituído por outro melhor, sem alarde social.
    Desejamos um país com uma paisagem única, igualitária, dono de um céu azul da cor da genciana, sem os vales apertados da fome e da miséria, sem os amplos horizontes dos escassos ricos que tudo detêm. Que regato haja, mas aos pés de uma fonte cristalina e doce, meio ao aroma dos lírios do campo e não essa fedentina que armazena a vergonha de uma República que ainda não foi governada por líderes fiéis à Constituição, e à vontade popular.
    Compare o Brasil governado a um café arrefecido: toma-se, mas não possui o sabor desejado. Há um olhar profundo que vê uma lonjura de desenvolvimento esperado. Passa sem penetrar no nosso entendimento, como se apenas fugisse pelo interesse de vontades globalizantes e estranhas. A quem interessam tanta miséria e exclusão social?
    Enxergo um país mais sério e poderoso, vivendo uma social democracia liderada por um primeiro ministro eficiente, forte, decente, que ame este país, como se ele fosse a sua mais legítima morada. Uma pátria fraticida não nos levará a lugar nenhum, a não ser ao caos, fim de todo desgoverno.
    Da taça erguida contendo o bom vinho da prosperidade da safra, raros cidadãos tragam dele. Na vastidão de uma desesperança nasce o opróbrio da civilização castigada – o homem que rouba, assassina, desvia, desgoverna!
    É como se entre nós dormisse um suave segredo que nos ensinasse a governar bem. Não desabrocha e finca-se. Escuta as lamúrias do povo, mas está desbocarado e com medo. Da magnânima taça, apenas os ébrios de seus excessos cantarolam, como se quisessem deixar bêbadas a pobreza, a miséria e a maior exclusão social de todas, a descidadania!
    Uma furiosa trovoada está em nossas mãos – o voto! Com ele poderemos fazer do tremeluzir às explosões de luzes fortes. Se a encosta é declivosa, seguremos nossos pés com mais cuidado em sua descida. Ainda não encontrei vivalma que, usando-o bem, não se fortalecesse. Outubro está bem próximo de nós. Peçamos a Deus que nosso voto possa, realmente, escolher os nossos melhores líderes e que os escolhidos possam adentrar-se nas bonanças das idéias parlamentaristas e que esse regime de governo seja a nossa sombra em breve. Ouçamos o marulhar das ondas de nossas belas praias numa reflexão viva e engenhosa de que nossas belezas naturais estarão nos ajudando. Que esse barulho nos chegue em forma de cantata. Deus será por nós e não nos deixará votar em quem não presta! O Parlamentarismo e o voto, nossas duas grandes soluções, hoje, para arrumarmos nosso futuro.